
Tudo novo de novo
Que tal aproveitar que é janeiro pra mudar umas coisas na vida, na rotina, investir numa faxina por dentro? Nem precisa tanto esforço para chegar lá. Comece fazendo as atividades do dia a dia de um jeito diferente. Tipo: se você sempre escreveu com a mão direita, use a esquerda só pra ver como se sai. Faça a pé um trajeto que normalmente realiza de carro. Se come todas as vezes o mesmo sabor de sorvete, experimente um que seja bem exótico, aquele que você até desconfia que seja bom, mas que nunca teve coragem de provar. Com o tempo, pode até transformar esse exercício num hábito. Quem sabe você não se apaixona, finalmente, por um garoto que não é exatamente como os últimos que você conheceu – e que não souberam lhe dar o valor que merece? Afinal, é só olhando para meninos diferentes que histórias com finais diferentes – e mais felizes! – poderão pintar. Quando ficamos no piloto automático, fazendo sempre as mesmas escolhas para não correr riscos, a vida perde um pouco a graça. E pior: a gente até esquece o que gosta e o que não gosta.
É bom estar no conforto, acomodada no que já é conhecido. Mas quem garante que o novo não é ainda melhor, mais gostoso e divertido? E isso só experimentando pra saber. As novidades fazem a gente despertar, nos deixam mais atentas à vida, às boas oportunidades. O batido cansa, provoca estagnação.
Agora, para deixar o novo entrar, é preciso livrar-se do velho que não nos faz bem. Ou que está ali só ocupando espaço e a gente nem sabe porque. Já reparou que algumas manias nós mesmas criamos e arrastamos durante um tempão, simplesmente porque nunca paramos pra pensar sobre elas? Chegamos a manter por anos o relacionamento com amigos e ficantes que, se olharmos bem, não têm mais nada a ver e nem nos fazem felizes. Mas e o medo de conhecer gente nova, de construir outros relacionamentos? Preferimos ficar ali, literalmente paradas no tempo, a dar um passo em direção ao desconhecido. Como se do lado de lá grandes perigos estivessem escondidos. Porém, o risco maior mesmo não é gastar a vida com tanta repetição, agindo todo os dias exatamente da mesma forma?
Você certamente já ouviu aquele papo de que colhemos o que plantamos. E faz sentido. Daí, se nos últimos tempos as coisas não têm saído como você gostaria, é sinal de que talvez precise de novas sementes. Ou de um novo olhar sobre a vida, pensamentos e atitudes renovadas. Pense bem em todo o entulho que acumulou: mágoas, tristezas, frustrações, jogue tudo fora. Ou pelo menos tente não pensar tanto nelas. Faça uma limpeza geral nos seus sentimentos. Assim, vai sobrar espaço para o entusiasmo, as realizações, a verdadeira alegria. Tente. Comece hoje a fazer diferente. Nas pequenas e nas grandes coisas. Vai ver como esse ano será especial, basta que todas as mudanças que você deseja comecem dentro de você.
Texto publicado na coluna Caixa Postal, da revista Atrevida.








